Entendendo as Relações Sociais Indígenas entre Gêneros a partir da Política Feminista Radical-Interseccional de Chantal Mouffe
Palavras-chave:
feminismo, interseccionalidade, Relações-sociais-indígenas, violência-domésticaResumo
Resumo: A análise da política feminista radical de Chantal Mouffe culmina no conceito de interseccionalidade e sua íntima relação com os argumentos anti-essencialistas da autora. Chantal defende um feminismo que articula diferentes formas de opressão e reconhece o pluralismo existente nas sociedades e nas relações sociais - argumentos estes que em muito se aproximam da noção interseccional de sobreposição de marginalizações. Pesquisas bibliográficas sobre o feminismo de Chantal e a interseccionalidade a partir dos estudos de Patricia Hill Collins auxiliam a análise de casos de relações sociais indígenas entre gêneros, posição que resulta em sobrepostas camadas vulneráveis, permeadas por características geográficas, raciais, culturais e, finalmente, relativas ao gênero - no caso em questão, o feminino. A análise de casos concretos referentes a estudos etnológicos em aldeias e reservas
indígenas brasileiras demonstram como as mulheres indígenas ainda possuem um papel secundário, com lugar de fala localizado na periferia da vida cotidiana e vinculadas a serviços domésticos. A violência doméstica se apresenta como outra questão preocupante no cotidiano destas mulheres, reafirmando a desigualdade presente na vivência indígena. A democracia agonística e o conflito defendidos por Chantal para preservação da pluralidade são alguns dos caminhos dissertados para abordar o campo de solução das relações sociais indígenas e proporcionar maior visibilidade ao gênero feminino dentro deste contexto.
Palavras-chave: feminismo; interseccionalidade; relações sociais indígenas; violência doméstica.
Abstract: The analysis of Chantal Mouffe’s radical feminist politics culminates in the concept of intersectionality and its close connection to the author’s anti-essentialist arguments. Chantal advocates for a feminism that articulates different forms of oppression and recognizes the pluralism present in societies and social relations - arguments that closely align with the intersectional notion of overlapping marginalizations. Bibliographic research on Chantal’s feminism and intersectionality,
based on the studies of Patricia Hill Collins, aids in the analysis of cases of Indigenous gender relations, a position that results in overlapping vulnerable layers, shaped by geographical, racial, cultural, and, ultimately, gender-related characteristics - in this case, the feminine. The analysis of specific cases related to ethnological studies in Brazilian indigenous villages and reserves demonstrates how indigenous women still play a secondary role, with their voices located on the periphery of everyday life and tied to domestic services. Domestic violence emerges as another concerning issue in the daily lives of these women, reaffirming
the inequality present in indigenous living conditions. The agonistic democracy and the conflict advocated by Chantal for the preservation of plurality are some of the approaches discussed to address the field of solutions for indigenous social relations and to provide greater visibility to the female gender within this context.
Keywords: feminism; intersectionality; indigenous social relations; domestic violence.